parem de matar as mulheres, não só quando assassinam a carne, mas quando assassinam a alma.
quando você diz que ela mereceu.
parem de matar as mulheres.
ao olhá-la de cima a baixo, como se fosse um objeto a ser admirado.
parem de matar as mulheres.
quando você está com seus amigos e fala sobre coisas íntimas que com ela viveu, mesmo sabendo que esta confiou em você, ao tirar dela, como um véu, a inocência.
mesmo assim você ri, enquanto a chama de safada, e seus amigos concordam dizendo que é uma putinha.
sabendo que é você que namora.
parem de matar as mulheres.
já a puta na esquina, cansada de trabalhar a noite toda, de ser violada e violentada.
quando o homem dá um tapa na cara e puxa seu cabelo pra ela lhe satisfazer.
todos querem dominá-la, mas será que existe resquício de alma…
pra eles dominarem?
cospe na cara.
a noite acaba e está sozinha de novo, sem saber o que é ser amada, uma puta machucada?
deve ser piada.
parem de matar as mulheres.
e dentro de casa, a luiza, cuidando da casa, sem conseguir dormir, porque o marido está bêbado, e ela só quer sumir…
mas quando levanta os olhos, lá está ele com o ódio no olhar, prestes a quebrar uma garrafa de 51 em seu rosto, se ela ousar algo falar.
e a filha julia
com apenas 13 primaveras, apaixonada por joão, que tem 22, mas a ama profundamente,
ao ponto de proibi-la de ir a festa da amiga, porque tem muito medo de perdê-la.
mas se ela não der pra ele em breve? ele já prometeu largá-la.
eu imploro, parem de matar as mulheres.
e no final, cercada de padrões, ainda desejada, mas nunca amada, ela se encolhe e chora, e vê suas semelhantes.